Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
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Ciência

Biólogo questiona descoberta de enzimas atribuída à inteligência artificial da Anthropic

Pesquisadores dinamarqueses afirmam que usaram a ferramenta Claude nos últimos três anos com os dados supostamente descobertos agora.

Jack Clark da Anthropic
Jack Clark, cofundador da empresa de IA Anthropic · Foto: Mvolz / Wikimedia Commons (CC0)

A apresentação do novo laboratório de biologia da Anthropic, no qual a empresa celebrou a descoberta de enzimas promissoras para a biotecnologia através do uso de sua inteligência artificial, rapidamente gerou atritos no meio acadêmico. Mario Rodríguez Mestre, biólogo computacional da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, revelou que sua equipe já vinha trabalhando com as mesmas moléculas e enzimas (batizadas de ARTs pela IA) há quatro anos.

As conclusões dessa investigação acadêmica ainda não foram oficialmente publicadas. No entanto, Mestre explicou que, ao longo dos últimos três anos, os cientistas de seu time utilizaram sistematicamente as ferramentas da Anthropic — em especial o modelo de linguagem Claude — para ajudar na formatação de códigos e na redação dos manuscritos científicos.

Segundo o pesquisador, essa rotina de interação fez com que eles compartilhassem informações cruciais sobre as enzimas diretamente no sistema da IA antes do anúncio da empresa. "Minha preocupação é que essas informações tenham sido usadas para treinar versões futuras dos modelos", argumentou Mestre, levantando dúvidas se a IA produziu um pensamento lógico do zero ou se foi apenas guiada pelos dados fornecidos no processo de revisão textual.

Diante do questionamento público, a Anthropic defendeu-se em um comunicado oficial emitido no domingo (1º). A companhia de tecnologia alegou não ter conhecimento de qualquer trabalho prévio que tenha sido publicado formalmente sobre essa descoberta específica relacionada às enzimas no meio acadêmico.

Com informações de UOL e Folha.

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