Crescimento dos países emergentes desafia regras de comércio, afirma economista da OMC
Especialista aponta descompasso entre o peso global de nações como o Brasil e vantagens alfandegárias de 1995
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O avanço econômico dos países emergentes, como o Brasil, colocou as negociações do comércio global em um impasse tarifário que precisa ser enfrentado na reforma estrutural da entidade, declarou o economista-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC), Robert Staiger, em entrevista divulgada neste domingo (18).
O travamento nas rodadas multilaterais de negociação prejudica a assinatura de novos acordos internacionais e pode incentivar disputas comerciais unilaterais, o que afeta o fluxo de importações e exportações de produtos agropecuários e industriais no mercado brasileiro.
Segundo Staiger, as economias em desenvolvimento dobraram sua participação nas trocas comerciais do planeta nas últimas três décadas, mas continuam amparadas pelas cláusulas de tratamento especial criadas na fundação da OMC, em 1995. Esse mecanismo permite que essas nações preservem alíquotas de importação mais elevadas. Como as nações desenvolvidas já operam com tarifas aduaneiras próximas do piso e possuem pouco espaço para concessões adicionais, o modelo tradicional de troca recíproca de vantagens esgotou o fôlego.
O economista ressaltou que a reformulação da entidade internacional exigirá desenhar compromissos proporcionais à força produtiva atual dos membros emergentes, equilibrando os benefícios sem prejudicar as metas de desenvolvimento sustentável dos países do Sul Global.
Com informações de UOL e Folha.
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