Curta-metragem paraibano leva debate sobre racismo sutil ao festival em Biarritz
Filme "Casos Isolados" reflete as barreiras das pessoas presas no "não lugar" da sociedade brasileira
A produção independente "Casos Isolados", criada por profissionais de cinema da Paraíba, abriu os debates do tradicional circuito na costa francesa de Biarritz ao explorar temas incômodos. O curta-metragem retrata como preconceitos naturalizados moldam o dia a dia daqueles que possuem traços afrodescendentes mas ikke são entendidos como retintos.
Através da história de uma entregadora de cosméticos interpretada pela própria diretora Jamila Facury, a obra ilustra os obstáculos desse famoso "não lugar" — a zona de fronteira cinzenta em que as pessoas sofrem exclusões e preconceitos na mesma proporção em que reproduzem a própria intolerância sistêmica no país.
Sem orçamento milionário e envolvendo o suor de 30 artistas locais, o roteiro de 50 minutos precisou ser reduzido para o formato curto, mantendo no entanto toda a carga das vivências. A exibição no continente europeu serve como um grande grito de existência da arte nordestina num ambiente internacionalmente acostumado aos clichês sobre a sociedade brasileira.
Com informações de UOL, RFI Brasil e Terra.
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