Documentário 'Naza' revela uso de IA na morte de civis em Gaza
Premiado em Veneza, o filme detalha sistema militar que admitia perdas de inocentes como 'danos colaterais' calculados
O documentário "Naza", que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, lança um olhar duro sobre a máquina de guerra israelense em Gaza. Dirigido pela dupla israelense Yuval Abraham e Rachel Szor, a produção premiada no Festival de Veneza expõe as engrenagens militares que resultaram em um extermínio sistemático de civis.
O termo que dá título ao filme é uma abreviação da expressão hebraica "nezek agavi", que significa "dano colateral". O documentário ouve 24 militares da inteligência de Israel, cujos rostos e vozes foram alterados para proteger suas identidades. Eles relatam que o uso de um programa de inteligência artificial chamado Lavender foi central nas operações. O sistema marcava potenciais alvos com uma precisão de cerca de 85%, transformando a região em "uma fábrica de alvos".
Para cada indivíduo rastreado, era estabelecido um limite de "naza", ou seja, o número de civis inocentes que poderiam ser mortos na operação. O filme contrasta as entrevistas gravadas em Tel Aviv, exibindo rotinas pacíficas da cidade, com o massacre realizado a apenas 60 quilômetros dali. A diretora Rachel Szor garante que todos os depoimentos foram exaustivamente checados de forma independente.
Com informações de UOL e Folha.
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