Governo do Chile corta verbas de museus e recua em políticas de memória
Gestão do presidente José Antonio Kast reduz orçamento da Cultura em meio à análise de indultos a condenados na ditadura
O governo do Chile recuou nas políticas oficiais de memória e reduziu o financiamento de espaços culturais ligados à história política do país. Por meio de um decreto em abril, a gestão do presidente José Antonio Kast cortou quase 10% do orçamento do Ministério das Culturas, afetando instituições como o Museu da Memória e dos Direitos Humanos e o Museu Violeta Parra.
As medidas representam a maior mudança no tratamento do tema por parte do Estado desde a redemocratização do país. Como reflexo dessa nova orientação, o mês de setembro marcou a primeira vez desde 1990 em que o governo federal não realizou uma cerimônia oficial pelo aniversário do golpe militar de 1973.
A atual administração, que assumiu em março, tem adotado posturas mais favoráveis ao período militar. O presidente Kast nomeou dois ex-advogados do ditador Augusto Pinochet para os ministérios da Defesa e da Justiça e Direitos Humanos.
Além dos cortes na área cultural, o governo chileno analisa atualmente mais de cem pedidos de indulto. A maioria dessas solicitações busca beneficiar pessoas condenadas por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura militar que governou o país até 1990.
Com informações de UOL e Folha.
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