Lula diz que homem é 'covarde' e resiste a exame de próstata em comparação com mulheres
Fala do presidente sobre exames preventivos provocou reações na oposição e debate médico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os homens resistem a realizar exames de prevenção do câncer de próstata, em comparação com os cuidados rotineiros adotados pelas mulheres com a própria saúde. A declaração foi feita em um evento na segunda-feira, em Belém (PA), para celebrar a primeira cirurgia robótica de próstata realizada no estado.
"O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeitos. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele", disse Lula na ocasião.
A declaração foi rapidamente explorada por parlamentares da oposição nas redes sociais, que classificaram a fala como inadequada. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) considerou a observação machista e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) argumentou que meninas não são submetidas a exames invasivos na infância.
Em resposta, o Partido dos Trabalhadores esclareceu que o presidente se referiu aos exames ginecológicos preventivos que fazem parte da cultura de saúde da mulher jovem, em contraste com o tabu masculino sobre avaliações urológicas. Lula posteriormente chamou as distorções em torno de sua fala de ação de "canalhas".
No campo médico, as diretrizes do Ministério da Saúde indicam que o rastreamento primário de câncer do colo do útero começa a partir dos 25 anos para quem já iniciou atividade sexual. O toque vaginal, por sua vez, é um exame clínico sob demanda médica, e não um protocolo de rastreamento geral infantil, o que motivou profissionais de saúde a acionarem entidades de classe por um posicionamento sobre a declaração.
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