Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Urgente Flávio Bolsonaro lidera primeiro turno e disputará Presidência com Lula
Política

Mesmo ameaçado de derrota, fim da escala 6x1 vira trunfo para Lula no Senado

Segundo o professor Luiz Felipe de Alencastro, com as eleições decididas, senadores tentarão barrar projeto de redução das horas de trabalho

Senado Federal do Brasil
Vista das bancadas do Senado Federal, em Brasília · Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A decisão a respeito do fim do duro modelo de escala 6x1 voltará à evidência no Senado Federal nesta terça-feira (6) e tende a ditar os próximos rumos até as eleições de segundo turno. A lei, que estabelece a queda da duração da rotina dos trabalhadores de 44 para 40 horas ao longo de uma semana, teve a data de sua deliberação destravada após um longo congelamento de prazos imposto pelo presidente da Casa, o senador Davi Alcolumbre.

De acordo com uma avaliação promovida pelo especialista, historiador e cientista político ligado à Universidade francesa Sorbonne, Luiz Felipe de Alencastro, a paralisia do tema foi proposital. Para ele, o intuito da espera baseava-se em aguardar o teste contra o voto das pessoas, visto que assim que ocorressem os fechamentos do primeiro turno da eleição, os congressistas atuariam blindados contra quaisquer impactos contrários perante o eleitorado, caso atuassem contra pautas em benefício da população de menor classe e populares com a base.

É a partir desse pensamento que a aprovação se torna um impasse perigoso. O projeto em tramitação conquistou antes o passe na Câmara dos Deputados por meio do apoio da maioria. Mas com o ambiente liberado da pressão das urnas diretas, não falta apoio e fôlego aos representantes empresariais atuantes que repudiam a mudança da escala para tentarem virar votos suficientes para que a matéria decaia e acabe superada nos trâmites de consolidação.

Seja com os resultados batendo o martelo para uma reviravolta final de fracasso, a tentativa em reverter a rotina dos finais de semana representará o grande apelo político de que as forças aliadas de Luiz Inácio Lula da Silva dependem neste ano. Com grande inserção e aceitação nas campanhas operárias, um acirramento da base do presidente ante os votos opostos surge com grande protagonismo sobre a balança de eleitores dispostos até a segunda ida ao voto daqui em diante no pleito de outubro.

Com informações de BBC News Brasil e Google Notícias.

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