Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Brasil

Morre Egle Roberti Scapin Pece, educadora e ex-presa política na ditadura militar

Vice-campeã brasileira de atletismo nos anos 1960, ela foi torturada na Oban em 1970 por militância no POC

Amigos, familiares e ex-colegas de trabalho reuniram-se para prestar as últimas homenagens à professora, diretora e ex-presa política Egle Roberti Scapin Pece. A cerimônia de despedida foi marcada por apresentações de violino com músicas de Violeta Parra e Chico Buarque, além da leitura de versos do poeta Maiakóvski.

A história de Egle reflete o impacto da repressão política no Brasil e a importância da resistência democrática. Seu legado nas escolas por onde passou e sua lealdade aos companheiros de militância servem de memória viva sobre o período autoritário enfrentado pelo país.

Nascida no bairro do Brás, em São Paulo, em uma família italiana, ela formou-se em educação física pela Universidade de São Paulo (USP). Na década de 1960, destacou-se no esporte ao ser vice-campeã brasileira de atletismo na prova dos 800 metros.

Ao buscar novos conhecimentos, ingressou na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Por sua atuação como militante do Partido Operário Comunista (POC), acabou alcançada pela repressão em dezembro de 1970, quando foi detida e torturada nas instalações da Operação Bandeirante (Oban). Na ocasião, o seu silêncio evitou a captura de dirigentes da organização e de seu companheiro, Luiz Carlos.

Após o período na prisão, a educadora adotou uma rotina mais discreta para sobreviver ao regime, voltando-se aos estudos de cultura e à atuação como servidora na rede municipal de ensino. Ao longo dos anos seguintes, enfrentou o luto pela perda de diversos amigos de militância que foram mortos ou exilados no Chile.

Com informações de UOL e Folha.

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