Sábado, 10 de outubro de 2026
Cultura

Morre Pancho, cartunista que retratou cotidiano do Paraná em décadas de tirinhas

Francisco Alfredo Dias Camargo foi o criador da série de ilustrações 'Rollmops e Catchup', lançada em 1987, e chefiou importantes redações locais

O jornalista e cartunista Francisco Alfredo Dias Camargo, assinado profissionalmente sob o codinome Pancho, morreu, deixando uma marca inconfundível de resistência e sátira no jornalismo do Paraná. O artista se imortalizou como o criador da famosa série de tirinhas "Rollmops e Catchup", lançada originalmente no ano de 1987.

Seus desenhos usavam o humor afiado para descrever situações comuns da sociedade e do cotidiano pelas ruas e redações. Pancho acreditava na imprensa pautada pela ética e encabeçava a filosofia de que o sarcasmo era uma das armas mais eficientes para expor problemas, afirmando sempre que "o humor é mais destrutivo do que a crítica direta".

A sólida carreira do cartunista começou cedo, operando como office-boy nas instalações do extinto jornal Última Hora, na cidade do Rio de Janeiro. Ao rumar para o Paraná, Pancho pavimentou seu espaço, trabalhando desde a reportagem até os cargos de chefe de redação e editor de primeira página em grandes diários locais, como Gazeta do Povo, Tribuna do Paraná, O Estado do Paraná e Jornal Plural.

Segundo os familiares, ele encarava o jornalismo como uma função social indispensável e usou sua pena para expor heranças da ditadura militar e combater a desigualdade e a ignorância. Companheiros de trabalho ressaltam que as tirinhas funcionavam como refúgio para o profissional rigoroso que, apesar de odiar burocracias, demonstrava enorme carinho com amigos e bebia cerveja e desenhava tranquilamente em bares da cidade.

Com informações de UOL e Folha.

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