Na França, papa Leão XIV alerta contra um 'paraíso das máquinas'
Em discursos no Eliseu e na Unesco, pontífice ligou inteligência artificial, corrida nuclear e direitos humanos
O papa Leão XIV alertou nesta sexta-feira (25) que um "paraíso das máquinas" pode ameaçar a humanidade. Ao abrir sua viagem à França, o pontífice colocou no centro dos discursos uma pergunta: o que significa ser humano numa era marcada pelo avanço da inteligência artificial, pela corrida armamentista nuclear e por outras ameaças à vida.
Ele falou primeiro no Palácio do Eliseu, diante do presidente Emmanuel Macron e de autoridades, e depois a diplomatas e funcionários das Nações Unidas na sede da Unesco. Nos dois discursos, manifestou preocupação com os efeitos do progresso científico sobre a vida e os direitos humanos.
Armas nucleares
Com guerras em curso na Europa e no Oriente Médio, o papa reafirmou a oposição do Vaticano às armas nucleares e classificou como "equivocada" a doutrina da dissuasão — a ideia de que a ameaça de retaliação impede novos conflitos. Para ele, a estratégia apenas alimenta uma nova corrida armamentista.
"A paz não é um equilíbrio de poder; pelo contrário, ela se constrói dia a dia por meio do diálogo e da justiça", disse.
Quatro dias num país laico
Leão XIV cumpre quatro dias de compromissos na França, país onde a Igreja Católica perdeu influência sobre questões éticas por causa da tradição de laicidade inscrita na Constituição. Sinos de igrejas tocaram em diferentes partes do território quando o avião do papa chegou, e ele percorreu ruas de Paris no papamóvel.
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