Domingo, 11 de outubro de 2026
Brasil

Restrição a crianças em bares e restaurantes gera queixas de famílias em São Paulo

Especialistas apontam que avanço do movimento childfree e queda da natalidade reduzem tolerância a comportamentos típicos da infância

A ampliação de normas que vetam o ingresso de crianças em bares, cafés e restaurantes tem provocado queixas de famílias e aberto discussões sobre convivência urbana e discriminação em São Paulo. O movimento, difundido pela expressão em inglês childfree, restringe o acesso de menores com a justificativa de preservar o silêncio e a tranquilidade de frequentadores adultos em momentos de lazer.

A prática expõe conflitos sobre o uso compartilhado de ambientes comerciais e de convivência nas cidades. Responsáveis por crianças relatam constrangimento ao serem barrados em horários diurnos, sobretudo em estabelecimentos que liberam a circulação de bicicletas e se apresentam como pet friendly, permitindo a permanência irrestrita de animais de estimação enquanto proíbem a infância.

Em um caso recente registrado na capital paulista, a fotógrafa Marcelle Cerutti, de 39 anos, relatou ter sido impedida de ingressar com o filho de 5 anos em um bar na região central durante a tarde, onde participaria da comemoração de aniversário de uma amiga. A recusa gerou revolta e desabafo da mãe, que ressaltou a contradição de o estabelecimento aceitar animais domésticos e rechaçar crianças acompanhadas pelos pais.

Sociólogos e psicólogos associam a aceitação dessas restrições às transformações demográficas brasileiras, marcadas pela queda constante na taxa de natalidade e pelo envelhecimento populacional. Segundo o sociólogo e psicanalista Wesley Santana, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a redução do contato cotidiano com menores diminui a capacidade de adultos lidarem com a agitação própria da infância, refletindo uma cultura voltada estritamente ao bem-estar e ao conforto individual.

Com informações de UOL e Folha.

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