Unicef alerta que El Niño coloca 25,8 milhões de crianças em risco na América Latina
Eventos climáticos extremos impulsionados pelo fenômeno agravam a fome e ameaçam sistemas de saúde e educação
Aproximadamente 25,8 milhões de crianças na América Latina e no Caribe enfrentam riscos iminentes em decorrência de eventos climáticos intensificados pelo El Niño. O alerta consta em um novo relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que prevê os impactos mais severos do fenômeno entre os meses de outubro e dezembro.
Segundo a entidade, as secas e chuvas intensas afetam desde o abastecimento de água até a produção agrícola. Na Amazônia, o baixo nível dos rios já compromete o acesso de comunidades ribeirinhas a serviços médicos e alimentos. Já na Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, a seca deve diminuir as colheitas, agravando o risco de desnutrição infantil e insegurança alimentar.
Roberto Benes, diretor regional do Unicef, sublinhou que os efeitos são cada vez mais graves e ameaçam colocar as crianças em maior vulnerabilidade, aprofundando as desigualdades na região. Ele destacou também que, além da seca, países na costa do Pacífico podem sofrer com tempestades e inundações capazes de destruir escolas e infraestrutura de saúde.
O Unicef já atua com ações preventivas em 11 países e monitora os impactos, mas esbarra em limitações orçamentárias. A organização havia solicitado US$ 53,8 milhões para combater as emergências causadas pelo El Niño na América Latina, mas, até o momento, conseguiu arrecadar apenas metade desse montante.
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