Abstenção eleitoral cresce entre os mais pobres e atinge 21,3% no primeiro turno
Inversão histórica prejudicou a votação de Lula nas faixas de menor renda na disputa presidencial
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A taxa de abstenção no primeiro turno da eleição presidencial de 2026 alcançou 21,3% entre os 20% de eleitores mais pobres do Brasil, superando os 20,3% observados na faixa dos 20% mais ricos, conforme levantamento divulgado nesta terça-feira (13).
O movimento inverte um padrão histórico de comparecimento no país e produz reflexos diretos na disputa pelo Palácio do Planalto, atingindo o eleitorado mais fiel ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na faixa de renda média de até 0,7 salário mínimo (cerca de R$ 1,1 mil), Lula obteve 76% dos votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu na faixa de 2,9 salários mínimos (R$ 4,7 mil), onde atingiu 56% da preferência.
A trajetória de inversão foi gradual ao longo das últimas duas décadas. Em 2006, deixaram de comparecer 15% dos mais pobres e 16,9% dos mais ricos. As taxas praticamente se equipararam em 2018, em torno de 19,7%, e viraram em 2022, quando a falta às urnas foi de 20,6% na baixa renda contra 20,1% no estrato de maior poder aquisitivo.
De acordo com o cientista político Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), a diferença de um ponto percentual não deve ser superestimada, mas reflete barreiras materiais enfrentadas pela população vulnerável para votar. As campanhas agora concentram esforços de mobilização para reduzir faltas no segundo turno.
Com informações de UOL e Folha.
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