Ativistas instalam armário de pílulas abortivas gratuitas em frente ao Parlamento da Polônia
Equipamento funciona em espaço de apoio operado por militantes e explora brecha em uma das leis mais rígidas da Europa
Militantes feministas inauguraram o primeiro armário para a retirada gratuita e anônima de pílulas abortivas na Polônia. Apelidado de "abortomat", o equipamento conta com 22 compartimentos para armazenar envelopes com medicamentos e fica dentro de um centro de apoio gerido por ativistas há mais de um ano. O local tem forte valor simbólico, ficando de frente ao Parlamento polonês, em Varsóvia.
O país tem uma das leis de interrupção da gravidez mais restritas de toda a Europa. O aborto só é permitido se a gestação for resultado de estupro ou incesto, ou se houver risco de vida para a mãe, restrições que geraram mortes em hospitais e amplos protestos desde 2020. No entanto, as ativistas afirmam que o projeto explora uma brecha legal: embora ajudar alguém a abortar preveja até três anos de prisão, a lei não pune as mulheres que interrompem a própria gravidez de forma autônoma.
Para evitar perseguição criminal aos envolvidos no país, as pílulas são dispensadas por uma organização operada fora da Polônia. Além da distribuição de medicamentos, o centro funciona como um espaço de orientação, onde as mulheres recebem apoio e podem realizar o procedimento de forma medicamentosa. A iniciativa, que foi alvo de críticas de grupos católicos conservadores, ocorre enquanto as promessas da coalizão governista de flexibilizar as regras permanecem paralisadas no Legislativo.
Com informações de UOL, G1 e RFI Brasil.
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