Sábado, 03 de outubro de 2026
Política

Disparada nos repasses de emendas cria barreira financeira para renovação no Congresso

Parlamentares receberam um volume recorde de R$ 165 bilhões no atual mandato, dificultando a eleição de candidatos novatos.

Plenário do Senado
Sessão no plenário do Senado Federal · Foto: Boaventuravinicius / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O pagamento de emendas parlamentares pelo governo federal atingiu o número inédito de R$ 165,4 bilhões no período compreendido entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. A dinheirama representa um salto expressivo de 54% frente aos gastos do ciclo eleitoral passado.

Essa verdadeira montanha de dinheiro garante a deputados e senadores atuais um favoritismo colossal, construindo uma barreira quase instransponível contra políticos que disputam o pleito pela primeira vez. A ferramenta garante também um escudo contra a rejeição de quem aprovou leis impopulares no último quadriênio.

As cifras divulgadas no Siga Brasil, sistema de transparência do Senado, mostram o salto que esse mecanismo tomou nos últimos mandatos presidenciais. Para se ter uma ideia, os repasses feitos ao longo de três anos e meio entre 2015 e 2018 somavam cerca de R$ 24,4 bilhões. Já no mandato compreendido entre 2019 e meados de 2022, o volume bateu R$ 107 bilhões, considerando valores atualizados pela inflação. O montante da atual legislatura supera os R$ 165 bilhões graças, também, à liberação contínua de valores retidos de exercícios anteriores.

Especialistas observam a dependência cada vez maior das engrenagens locais pelo dinheiro gerido no Congresso. Segundo o pesquisador Bruno Bondarovsky, da PUC-Rio, o repasse massivo de emendas, que teoricamente deve bancar obras de custeio municipal, transformou-se na principal âncora política: os prefeitos precisam intensamente desses fundos para garantir que suas gestões no interior melhorem a popularidade perante os eleitores.

Com informações de UOL e Folha.

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