Dramas sociais brasileiros e latino-americanos ganham espaço e debates no festival de Biarritz
Exibição ocorre no momento em que papado visita a América do Sul e reflexos das ruas ecoam nas telas de cinema
O cinema latino-americano encontrou ressonância em problemáticas culturais antigas, como a religiosidade extrema e as origens da violência policial em debates e exibições nesta semana no prestigiado festival de cinema de Biarritz, na França. Uma das atrações do evento foi a remontagem comemorativa de um longa que detalha as armadilhas econômicas do turismo religioso sul-americano.
A ficção franco-uruguaia-brasileira aborda a histeria da população de fronteira pela oportunidade financeira única de enriquecer com a passagem do Papa pela localidade de Melo, apostando na chegada intensa de brasileiros e acabando endividada por investimentos exagerados. Segundo César Charlone, a apresentação em Biarritz reforça a atualidade do poder católico, dada a viagem que o atual papa Leão XIV promove pelo continente, descrita por ele como um fenômeno capaz de esgotar estoques de mercadorias.
O cinema nacional de curta-metragem chamou atenção na mesma semana com projetos discutindo o enraizamento da brutalidade nas polícias militares. Casanova, o diretor responsável, ligou parte da crise atual aos resquícios de impunidade criados no regime militar: "infelizmente é uma coisa que está lá enraizada há muito tempo. O cinema é uma ferramenta que não é só sobre informação, você cria empatia", declarou à imprensa sobre a importância social do tema nas periferias brasileiras.
Com informações de RFI Brasil e UOL.
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