EUA encerram presença militar no Iraque depois de mais de 20 anos
Saída fecha a missão da coalizão, mas Bagdá adiou para 2027 o desarmamento das milícias pró-Irã, e curdos temem vazio de segurança
Os Estados Unidos concluem nesta quarta-feira (30) a retirada das últimas tropas do Iraque, o que encerra uma presença militar iniciada com a invasão de 2003, que derrubou Saddam Hussein. Segundo o UOL, Washington afirma que a retirada está completa; g1 e BBC News Brasil ainda a descreviam como planejada para até esta data.
As forças americanas saíram do país em 2011 e voltaram em 2014, a convite do governo iraquiano, para combater o Estado Islâmico. Com o grupo enfraquecido, os dois governos acertaram em 2024, na gestão de Joe Biden, o fim da missão. Uma pequena presença militar permaneceu na região curda, alvo de ataques de milícias apoiadas pelo Irã desde o início das hostilidades entre EUA e Irã, em fevereiro.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, disse que a cooperação com os americanos continua, agora "da cooperação militar para a cooperação econômica e de desenvolvimento". Ele presidiu a cerimônia de transferência e afirmou que o Iraque terá parcerias equilibradas e forças preparadas.
O ponto mais delicado é o das milícias. O plano de entregar as armas de grupos das Forças de Mobilização Popular ao Estado previa cumprimento até esta quarta, mas o prazo foi adiado para junho de 2027, porque milícias poderosas ligadas ao Irã se recusaram a se desarmar. Em troca, seus integrantes seriam incorporados às forças de segurança iraquianas.
Na região curda, o temor é de vazio de segurança. O Ministério Peshmerga alertou que os EUA saem sem entregar sistemas de defesa aérea, depois de mais de mil ataques de mísseis e drones ao território. O comandante curdo Sirwan Barzani disse que a falta de inteligência, apoio logístico e drones americanos pode dar ao Estado Islâmico a chance de se reagrupar, e que há mais de duas semanas notam movimentação de células adormecidas do grupo. No Irã e entre aliados, a saída é celebrada como vitória.
A invasão de 2003 foi justificada pela suposta existência de armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas. A estimativa citada pelo Metrópoles é de 461 mil mortes no Iraque por causas ligadas à guerra entre 2003 e 2011.
Com informações de portalnewstvc.lfdev.tech.
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