Ex-diretores do BRB admitiram pressão e falhas ao comprar ativos do Master
Relatório da Polícia Federal traz mensagens sobre créditos atrasados e alertas de riscos da operação financeira
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Mensagens e depoimentos reunidos pela Polícia Federal (PF) revelam que ex-diretores do Banco de Brasília (BRB) e um ex-integrante do Banco Central do Brasil (BC) tinham conhecimento de irregularidades e fragilidades na compra de carteiras de crédito do Banco Master. Os diálogos constam no relatório policial que resultou no indiciamento formal de 15 pessoas por crimes financeiros na injeção de recursos na instituição privada.
O caso expõe como recursos de um banco controlado pelo governo do Distrito Federal foram direcionados para adquirir papéis com alto risco de inadimplência, flexibilizando normas técnicas internas. A investigação afeta a credibilidade das instituições financeiras envolvidas e pode gerar sanções regulatórias aos envolvidos na aprovação das transações.
As conversas interceptadas mostram que a então diretora executiva de Controle e Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, relatou pressão de superiores e ausência de documentos ao avaliar R$ 1,1 bilhão em créditos atrasados do Banco Master, embora tenha chancelado o parecer final. Em outra troca de mensagens, o ex-superintendente Robério Mangueira afirmou estar "assustadíssimo" com o afrouxamento de critérios ao conversar com o ex-diretor Dario Garcia, que acabou indiciado. Paralelamente, o ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza declarou à PF e ao Supremo Tribunal Federal (STF) que já havia alertado sobre os perigos da operação em junho de 2025.
A defesa do empresário Daniel Vorcaro afirmou que o indiciamento é frágil e que não houve prejuízo ao BRB, já que as carteiras de crédito consignado questionadas teriam sido substituídas por outros ativos, solicitando a revogação de sua prisão. Já a defesa do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa declarou que ele desconhecia ilegalidades e apenas cumpriu determinações do governo distrital. O relatório conclusivo da Polícia Federal será analisado pelo Ministério Público, que decidirá nas próximas semanas se apresenta denúncia formal à Justiça.
Com informações de Metrópoles, Revista Oeste, Estadão e Veja.
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