Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Mundo

Índia exclui 130 milhões de eleitores do cadastro e gera protestos

Comissão eleitoral cortou registros alegando inconsistências, mas opositores apontam exclusão de minorias e críticos ao governo

A comissão eleitoral da Índia excluiu mais de 130 milhões de pessoas do cadastro de votantes no país, o que deflagrou uma onda de protestos generalizados. A medida, que cortou um número de eleitores superior a toda a população do México, exigiu que os cidadãos apresentassem documentos para comprovar o direito ao voto, sob a justificativa de eliminar duplicidades e inconsistências nos registros.

A decisão gerou indignação popular após indícios apontarem que o processo afeta principalmente parcelas da sociedade com menor probabilidade de apoiar o partido nacionalista hindu, liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi. Os cerca de 200 milhões de muçulmanos indianos foram atingidos de forma desproporcional pelos cancelamentos, perdendo o direito de participar da maior democracia do mundo.

O processo utilizou algoritmos para marcar possíveis exclusões no sistema eleitoral. Muitas pessoas tiveram o título cancelado sob a alegação de estarem mortas e agora precisam contestar a decisão provando que estão vivas. Milhões de cidadãos que recorreram continuam aguardando análise e foram impedidos de votar nas eleições acirradas realizadas no início deste ano.

Os manifestantes exigem a renúncia do chefe da comissão eleitoral, Gyanesh Kumar. Os membros atuais do órgão foram nomeados pelo próprio primeiro-ministro Modi, o que levanta críticas sobre a independência de uma instituição historicamente elogiada por conduzir eleições justas numa região marcada por governos autocráticos.

Com informações de UOL, Google Notícias e Folha.

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