Sábado, 24 de outubro de 2026
Mundo

Justiça da paz apura mais de 7,8 mil execuções de civis na Colômbia

Tribunal especial criado após acordo de paz enfrenta pressões políticas enquanto investiga mortes atribuídas a militares.

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A Jurisdição Especial para a Paz (JEP) da Colômbia contabiliza 7.837 vítimas civis assassinadas por forças de segurança entre 1990 e 2016 no esquema conhecido como "falsos positivos", segundo dados destacados na obra "Los Nuestros", da jornalista investigativa Catalina Oquendo, que retrata as dificuldades para a manutenção do mecanismo de conciliação no país.

O levantamento aponta que a prática ilegal de executar civis inocentes para apresentá-los como guerrilheiros mortos em combate se multiplicou durante o mandato do ex-presidente Álvaro Uribe, motivada por pressões de comando para demonstrar avanços militares na guerra interna. O tribunal especial de transição busca assegurar a reparação às famílias e responsabilizar tanto agentes do Estado quanto ex-guerrilheiros envolvidos em violações aos direitos humanos.

Instituída a partir do histórico acordo de paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a corte oferece sanções alternativas à prisão tradicional para réus que confessarem crimes e colaborarem ativamente na reconstrução da verdade. O livro traz relatos detalhados de casos como o do soldado Luis Esteban Montes, que encontrou o próprio irmão em um acampamento militar pouco antes de ele ser executado pela tropa para figurar nas estatísticas oficiais de baixas inimigas.

Atualmente, a estrutura da justiça de paz enfrenta resistências institucionais e contestação de setores políticos conservadores, encabeçados por lideranças como Abelardo de la Espriella. O tribunal segue com os julgamentos e audiências de conciliação programados para os próximos meses em território colombiano.

Com informações de UOL e Folha.

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