Justiça do Pará condena pastor por ligar autismo a ação demoníaca
Tribunal impôs pagamento de R$ 50 mil em danos morais coletivos; líder religioso afirmou que errou e poderá recorrer da decisão
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A Justiça do Pará condenou em segunda instância o pastor Washington Almeida, da igreja Assembleia de Deus, ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos após associar o autismo à ação do diabo sobre mães e famílias. O valor determinado pela decisão judicial deverá ser transferido a um fundo público estadual voltado ao fomento de ações e suporte a pessoas com o transtorno.
O julgamento atendeu a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). O promotor de Justiça Luiz Almeida Presotto sustentou que discursos discriminatórios vindos de figuras religiosas influentes alimentam o preconceito contra indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e dificultam a inclusão social de familiares atípicos.
O episódio ocorreu no dia 12 de julho de 2024, em evento oficial dos 90 anos da Assembleia de Deus na cidade de Tucuruí, no interior paraense. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o líder religioso declarou aos fiéis presentes que espíritos malignos atuavam na gestação de mulheres sem amparo espiritual ao tentar justificar o avanço de laudos médicos de autismo.
Por se tratar de condenação em segundo grau, a defesa de Washington Almeida tem o direito de recorrer a tribunais superiores em Brasília. Perante o Judiciário, o pastor declarou que sua fala foi infeliz e equivocada, mas argumentou que suas declarações não carregavam o propósito explícito de discriminar ou causar sofrimento a mães e crianças autistas.
Com informações de UOL e Folha.
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