Nobel da Paz consagrou jurista que garantiu direitos a Mandela na prisão
Sul-africana Navi Pillay desafiou o apartheid nos anos 1970 ao atuar na defesa de ativistas políticos encarcerados
A trajetória da jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, anunciada nesta sexta-feira (9) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, é alicerçada em um enfrentamento direto ao regime de segregação racial de seu país. Muito antes de ocupar altos cargos em tribunais internacionais, ela utilizou a advocacia como principal ferramenta contra o apartheid na África do Sul.
A conquista coroa a coragem da profissional que foi a primeira mulher não branca a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. De origem tâmil indiana e sofrendo as restrições impostas pelas leis de segregação a cidadãos não brancos, a advogada desafiou o hostil sistema judicial da época em nome dos direitos civis.
Em 1973, Pillay obteve uma vitória nos tribunais que mudou a dura rotina das prisões políticas sul-africanas. Ao atuar em processos a favor de ativistas, ela garantiu que os detentos da Ilha Robben, prisão de segurança máxima onde Nelson Mandela cumpria pena, tivessem direito a se encontrar formalmente com advogados e a ter julgamentos justos por infrações dentro do cárcere.
A determinação da advogada conseguiu quebrar parte do isolamento imposto pelo governo, expondo pela primeira vez as sessões de tortura e as más condições enfrentadas pelos presos políticos. Esse ativismo prático de Pillay serviu como alicerce para sua futura atuação em cortes globais e foi essencial para o reconhecimento do Comitê Norueguês do Nobel este ano.
Com informações de Metrópoles, Veja e La Nación (Argentina).
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