Por que ostentamos: o que psicologia e economia explicam sobre o consumo de luxo
Compra acima do necessário costuma estar ligada a autoafirmação e comparação social — e, quando sai do controle, vira caso de acompanhamento
Fernanda tinha acabado de completar 18 anos quando recebeu o primeiro salário. Com o dinheiro na conta, decidiu comprar uma bolsa que talvez custasse mais do que ela havia recebido naquele mês — e por isso a compra foi parcelada várias vezes.
Foi, segundo ela, a primeira de muitas compras feitas acima do que precisava ou podia pagar, sempre em busca do "melhor". O padrão se repetiu com outros itens e, mais tarde, com um carro maior e mais sofisticado do que a rotina exigia.
"Eu sempre fui sozinha com meu filho. Então eu não precisava comprar um carro grande, cheio de coisas. E eu queria sempre o melhor, o mais caro, com mais sofisticação. Tudo do bom e do melhor, sem necessidade", conta.
O que está por trás
Para especialistas ouvidos sobre o tema, compras excessivas costumam estar ligadas à busca por autoafirmação e à comparação social — o consumo funciona como resposta a uma pergunta que não é sobre o produto, e sim sobre o lugar que a pessoa ocupa diante dos outros.
Fernanda descreve exatamente isso: havia algo além do desejo pelos produtos.
Quando o padrão sai do controle, o caminho passa a ser o acompanhamento psicológico — porque o problema deixa de ser de orçamento e passa a ser de sofrimento.
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