Trupe Ave Lola usa marionetes e memória para debater a velhice na peça 'Lucrécia'
Montagem dispensa tom solene para encenar a história de uma artista idosa que se recusa a ir para um asilo
Para celebrar seus 15 anos de trajetória artística, a companhia teatral Trupe Ave Lola estreou o espetáculo "Lucrécia", com direção assinada por Ana Rosa Genari Tezza. A montagem encena o drama inventivo de uma artista centenária que decide entrar dentro de um armário e passar o trinco para resistir a uma determinação do Estado de transferi-la compulsoriamente para um asilo.
A peça é conduzida pela sensibilidade de temas como a perda progressiva da lucidez e a disputa pelo espaço e pela autonomia na terceira idade. Ao focar a trama no território particular criado entre os casacos e chapéus antigos da protagonista, o espetáculo convida a uma reflexão lúdica sobre como o tempo e as lembranças agem na mente das pessoas mais velhas.
A ação principal ganha vida através de uma técnica engenhosa: a personagem idosa é uma marionete híbrida feita pelo artista Eduardo Santos. A estrutura de tecido fica acoplada ao corpo da atriz Helena Tezza, misturando a respiração, o vigor físico da jovem manipuladora e o peso inerte das articulações da boneca, gerando uma movimentação que permite brincar com mergulhos imaginários no cenário.
No palco com a atriz e o boneco atua o ator Wenry Bueno, encarregado de dar forma corporal e rapidez às inúmeras memórias e assombrações de Lucrécia. O jogo cênico foge da solenidade artificial e entrega ao público um trabalho que se sustenta na sincronia entre a animação detalhista, a atuação direta e a música ao vivo executada para ambientar o drama.
Com informações de UOL e Folha.
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