Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Cultura

Último livro de Beatriz Sarlo destaca formação e afasta trajetória política

Obra póstuma da ensaísta argentina foca em memórias de infância e na recusa das expectativas de gênero

Beatriz Sarlo
A escritora e ensaísta argentina Beatriz Sarlo · Foto: Madamebiblio / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O último livro da ensaísta argentina Beatriz Sarlo, concluído poucos meses antes de sua morte em 2024, apresenta suas memórias focadas na construção de sua vida intelectual e nas recusas pessoais. Na obra "Não Entender: Memórias de uma Intelectual", Sarlo relata desde a infância sua rejeição às expectativas tradicionais de gênero que a empurravam para a vida doméstica.

A exclusão da política no livro é uma escolha deliberada e notória da escritora. A autora, que teve uma participação marcante no debate público argentino passando pelo peronismo, marxismo e social-democracia, preferiu não usar sua agitada trajetória política como eixo central de suas memórias.

Sarlo usa episódios de sua infância, como a vez em que se recusou a abrir uma casa de bonecas dada como presente de Natal, para ilustrar as tentativas dos adultos de educá-la como uma menina focada no lar. Ela relata que precisou esconder sua fúria diante do que chama de gesto pedagógico da família.

Ao longo da obra, a escritora detalha como a firme decisão de não se casar e não ter filhos foi fundamental para alcançar seu objetivo de vida. A narrativa mostra como a jovem que não queria brincar construiu a base para se tornar uma das intelectuais mais influentes do país.

Com informações de UOL e Folha.

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