Domingo, 18 de outubro de 2026
Economia

Corte de benefícios sociais pode causar retração em cidades do interior, diz USP

Estudo do Made mostra que aposentadorias e auxílios representam até 40% da renda local fora das capitais

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Beneficiários de programas sociais
Benefícios sociais movimentam a economia e o comércio em cidades do interior · Foto: Agência Brasil (CC BY)

A estagnação ou diminuição nos valores de repasses sociais e previdenciários pode causar retração econômica generalizada em pequenos e médios municípios brasileiros, apontou um estudo da Universidade de São Paulo (USP). O documento foi elaborado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da Faculdade de Economia e Administração.

Para a população que reside fora dos grandes centros urbanos, a transferência de recursos federais como aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) é vital. Como as famílias de baixa renda destinam a maior parte desses valores a itens essenciais, como alimentos e remédios, o dinheiro sustenta os estabelecimentos comerciais e os postos de trabalho locais.

A pesquisa ressalta que cerca de 4.000 dos 5.569 municípios do país estão fora de áreas metropolitanas, regiões onde o peso financeiro das transferências públicas chega a ser o dobro do registrado nas capitais. No estado do Ceará, por exemplo, os benefícios representam 22% da renda na região metropolitana de Fortaleza, mas atingem 40% nas cidades interioranas.

O levantamento do Made-USP projetou cenários para a economia dos municípios nos próximos três anos. Os pesquisadores concluem que eventuais cortes ou congelamentos fiscais nessas políticas sociais provocarão encolhimento na arrecadação tributária das próprias prefeituras, dificultando a prestação de serviços básicos aos cidadãos.

Com informações de Agência Brasil e Poder360.

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