Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Política

Especialistas divergem sobre viabilidade de Flávio Bolsonaro anistiar o pai

Possibilidade de perdão presidencial a Jair Bolsonaro esbarra em limitações constitucionais apontadas e já praticadas pelo STF.

Senador Flávio Bolsonaro discursa no Senado Federal
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A promessa de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) de conceder um indulto presidencial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, caso vença as eleições presidenciais em 2026, é vista com ressalvas por juristas e professores universitários. Jair Bolsonaro está preso atualmente, cumprindo pena fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.

A grande questão é se um eventual perdão do Poder Executivo conseguiria se sobrepor às sentenças da mais alta corte do país. Segundo o professor de direito constitucional Rubens Beçak, projetos ou decretos que atacam frontalmente decisões definitivas do STF tendem a ser barrados por inconstitucionalidade.

Ele cita que, em anos recentes, o próprio STF já anulou um indulto concedido por Jair Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira. Na ocasião, a corte entendeu que houve desvio de finalidade porque a anistia tentava proteger um aliado político e não caberia para crimes contra o Estado democrático.

Ainda assim, alguns juristas defendem que há amparo na Constituição para a manobra política. O advogado Max Kolbe argumenta que o Judiciário não possui prerrogativa legal para substituir ou impedir uma decisão presidencial de clemência expressamente garantida pela lei maior. Flávio e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão os votos no segundo turno das eleições.

Com informações de Público (Portugal), UOL e Google Notícias.

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