Sábado, 03 de outubro de 2026
Ciência

Estudo com corais nas Galápagos liga El Niño extremo ao aquecimento global

Análise de recifes centenários indica que as águas quentes do Oceano Pacífico ficaram mais intensas desde a era industrial.

Anomalias de temperatura do El Niño
Visualização por satélite das anomalias de temperatura do Oceano Pacífico · Foto: NASA Earth Observatory/Lauren Dauphin / Wikimedia Commons (Domínio público)

Pesquisadores encontraram indícios de que as mudanças climáticas estão deixando o fenômeno El Niño mais intenso e frequente. A conclusão vem do estudo de registros geológicos preservados há séculos em recifes de corais das Ilhas Galápagos, que indicam que as anomalias climáticas aumentaram após o início da era industrial.

A descoberta ajuda a entender como as emissões de gases de efeito estufa afetam diretamente a temperatura dos oceanos a longo prazo. Modelos climáticos recentes já apontavam uma probabilidade maior de ocorrência de eventos extremos do fenômeno no Pacífico nas próximas décadas, o que pode influenciar secas, tempestades e ondas de calor em todo o planeta.

A análise dos recifes de corais foi fundamental para preencher uma grande lacuna histórica na ciência. As medições sistemáticas da temperatura do mar por meio de satélite começaram apenas no início da década de 1980, o que tornava difícil comparar de forma precisa o comportamento atual do El Niño com o período anterior à queima massiva de combustíveis fósseis.

Apesar das evidências trazidas pelos novos dados, ainda não há um consenso definitivo em toda a comunidade científica sobre o grau exato de influência do aquecimento global sobre esses eventos específicos. Especialistas do Instituto Max Planck de Meteorologia e do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT) avaliam que os resultados devem ser analisados com cautela, ressaltando que essa continua sendo uma área de pesquisa em pleno desenvolvimento.

Com informações de UOL e Terra.

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