Estudo mostra que voto evangélico à direita não depende de orientação de pastores
Frequência intensa aos cultos cria ambiente de circulação política, segundo relatório acadêmico
Um estudo realizado pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião) indica que o alinhamento político dos evangélicos à direita ocorre de forma estruturada, mesmo havendo forte rejeição à mistura de política e religião nos templos. Os dados mostram que 81% dos pentecostais são contrários a discussões políticas na igreja e 87% rejeitam campanhas eleitorais durante os cultos.
Segundo o levantamento "Religião e Vida Pública no Brasil", o modelo em que o líder religioso dita as escolhas dos fiéis não se sustenta nos números. Apenas 23% relataram que seus pastores recomendaram apoio a Jair Bolsonaro no pleito passado. Além disso, o relatório revelou a ausência de lideranças evangélicas com alcance nacional centralizado: apenas 18% dos brasileiros seguem líderes religiosos ou influenciadores, e entre os pentecostais, 78% acompanham nomes locais, fora das grandes listas de destaque.
Apesar dessa pulverização e da falta de uma liderança nacional, o alinhamento político é consistente. De acordo com institutos de opinião, o eleitorado evangélico mostra forte rejeição ao PT (39% entre os protestantes históricos) e o senador Flávio Bolsonaro aparece com cerca de 30 pontos percentuais de vantagem sobre Lula neste grupo, em cenários de segundo turno.
O estudo aponta a frequência aos cultos como o principal fator para a manutenção desse comportamento eleitoral. Enquanto 12% dos católicos frequentam a igreja duas vezes por semana ou mais, esse índice chega a 46% entre os evangélicos. Esse contato semanal cria um ambiente onde opiniões políticas conservadoras em costumes e moral circulam e se solidificam, consolidando o voto do grupo.
Com informações de UOL e Folha.
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