Estudo revela por que colegas pessimistas parecem ser os mais espertos
Viés cognitivo faz com que críticas em reuniões de trabalho sejam lembradas com mais facilidade do que expectativas construtivas.
No ambiente corporativo, é corriqueiro que a pessoa que critica projetos sistematicamente e aponta possíveis fracassos ganhe a fama de ser a mais esperta da sala. No entanto, especialistas em comportamento afirmam que esse perfil profissional, que habitualmente se autodeclara apenas como "realista", se apoia inteiramente em um viés cognitivo básico para forjar uma ilusão de inteligência perante os demais.
Entender a natureza deste fenômeno silencioso pode mudar drasticamente a forma como lideranças e gestores avaliam as contribuições de suas equipes. Muitas vezes, o colaborador que apoia inovações e traz ânimo é rotulado como um profissional ingênuo; em paralelo, o crítico sistemático passa imune, já que ninguém volta nas reuniões seguintes para cobrá-lo pelos inúmeros avisos pessimistas que acabaram nunca acontecendo.
A percepção superficial de genialidade associada aos trabalhadores pessimistas ganha força porque grupos de trabalho tendem a simplesmente esquecer as previsões de fracasso que falham. Quando uma adversidade efetivamente vem à tona no projeto, a pessoa prontamente ressurge para reforçar que já havia previsto a falha, garantindo que a equipe escute repetidamente apenas o relato de seus acertos em uma espécie de "placar mental".
A validação social e científica desse padrão de comportamento agressivo ocorre há décadas. Ainda em 1983, a renomada psicóloga Teresa Amabile executou uma pesquisa provando que indivíduos que eram escalados para falar mal de uma obra recebiam muito mais elogios e notas de inteligência elevada do que os profissionais que redigiam análises neutras e justas. Segundo os dados, apontar um risco ou defeito tende sempre a soar profundamente cirúrgico para uma plateia, mesmo quando se trata apenas de negativismo sem fundamentos.
Com informações de Estadão e Google Notícias.
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