França enfrenta forte onda de protestos enquanto tenta conter grave crise fiscal
Governo propõe pacote de cortes de 43 bilhões de euros para tentar frear endividamento, que já passa de 119% do PIB
A França, que durante muito tempo atuou como um sólido pilar de estabilidade na Europa, encontra-se hoje mergulhada em um grave cenário de crise fiscal e revolta social. Com o rombo da dívida pública atingindo os 3,5 trilhões de euros, o equivalente a 119% de seu Produto Interno Bruto (PIB), o país tem pago taxas de empréstimo mais altas do que antigas economias fragilizadas, como Grécia e Itália.
As dificuldades nas contas forçaram o governo a tentar emplacar, com urgência, um duro pacote de contenção focado em economizar 43 bilhões de euros. A equipe econômica planeja congelar em parte os salários de todo o funcionalismo público, represar o valor das aposentadorias e cortar frontalmente uma série de auxílios de proteção social para estancar um déficit anual na casa de 5,4%.
As tentativas de restringir o tradicional modelo de bem-estar social geraram um levante rápido nas ruas francesas. Já há o registro de centenas de protestos pelo território, marcados por barricadas erguidas por estudantes em frente a colégios e greves de pescadores e operários que paralisaram completamente portos marítimos e terminais petrolíferos.
As forças policiais da França também entraram em frequentes e violentos confrontos com os manifestantes, ocasionando mais de 5.000 prisões até o momento. Enquanto a tensão social toma conta das ruas, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que a conta do endividamento francês pode disparar para até 200% do PIB em meados de 2050 se o estado não mudar os rumos orçamentários estruturais agora.
Com informações de UOL e Folha.
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