Terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Índia e Japão vivem impasse em obra bilionária do primeiro trem-bala

Linha que deveria ficar pronta em 2023 patina em desapropriações e custo estimado já atinge R$ 97 bilhões.

O projeto do primeiro trem-bala da Índia, planejado para conectar as cidades de Mumbai e Ahmedabad ao longo de 508 quilômetros, enfrenta um impasse prolongado com o Japão, principal financiador e provedor tecnológico da obra.

O grande atraso evidencia atritos diplomáticos na área de infraestrutura, encarece o projeto que usa dinheiro público e juros internacionais, e adia a promessa de modernização da quarta maior rede ferroviária do mundo.

O acordo histórico foi fechado em 2015 pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que firmou um contrato prevendo a inauguração para o ano de 2023. O Japão colaborou oferecendo um financiamento atrativo de 980 bilhões de rúpias (cerca de R$ 50,6 bilhões) a juros de 0,1% ao ano, com prazo de pagamento estendido de cinco décadas.

No entanto, burocracias e lentidões nos processos de desapropriação de terras por parte do governo da Índia paralisaram o avanço da linha por anos. Por causa da estagnação, estimativas oficiais já apontam que o custo real da obra disparou para pelo menos 1,87 trilhão de rúpias, o equivalente a R$ 97 bilhões no câmbio atual.

A situação gerou uma forte troca de farpas. O ex-ministro da Justiça do Japão, Hideki Makihara, acusou recentemente os indianos de quebra de promessas e afirmou que a falta de progresso é culpa exclusiva do país aliado. Até o momento, a nova ferrovia de alta velocidade nunca transportou um passageiro sequer.

Com informações de UOL e Folha.

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