Marcas de iate apostam em barcos maiores para driblar queda nas vendas
Setor náutico foca em modelos luxuosos pagos à vista, enquanto demanda por barcos financiados despenca com o juro alto
Os construtores de embarcações de luxo no Brasil estão mudando o foco para iates de grande porte para contornar a queda nas vendas causada pelos juros altos. A estratégia visa atender clientes com maior poder aquisitivo, que não dependem de financiamento bancário para efetuar a compra.
A taxa de juros elevada no país tornou o crédito mais caro, afastando clientes de classe média que costumavam financiar barcos menores. Com isso, os grandes iates, que costumam ser pagos à vista, tornaram-se o segmento mais aquecido do momento, garantindo a lucratividade das fabricantes que apostam na construção de embarcações exclusivas.
Segundo a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar), o setor vem de um crescimento contínuo desde a pandemia, com 5.400 unidades vendidas em 2025. Para 2026, porém, a entidade projeta um recuo de 5% no volume geral. O presidente da Acobar, Eduardo Colunna, avalia que a queda representa um reequilíbrio natural do mercado após anos de alta vertiginosa.
A retração no crédito afetou diretamente os barcos de entrada. O diretor-executivo do Grupo Armatti & Fishing, Fernando Assinato, relatou não ter vendido nenhum barco via financiamento no último ano. A constatação reforça a guinada da indústria para as embarcações de grande escala e para consumidores imunes ao cenário financeiro de restrição.
Com informações de UOL e Folha.
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