Domingo, 11 de outubro de 2026
Brasil

Moradores de Santo Amaro enfrentam sequelas de contaminação por chumbo após seis décadas

Antiga fundição operou na Bahia por 33 anos e deixou toneladas de rejeitos tóxicos

Moradores e ex-operários do município de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, convivem há mais de seis décadas com graves danos à saúde causados pela contaminação crônica por chumbo. As vítimas aguardam indenizações e medidas efetivas de remediação ambiental para o passivo deixado pela indústria na região.

O caso afeta diretamente famílias e trabalhadores expostos ao metal pesado. Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o contato contínuo com o chumbo pode danificar os sistemas nervoso e renal, provocar anemia profunda e causar atrasos cognitivos irreparáveis no desenvolvimento infantil.

A contaminação teve início em 1960, quando a Companhia Brasileira de Chumbo (Cobrac), subsidiária do grupo multinacional Peñarroya, instalou uma fundição no local para processar minério trazido da cidade de Boquira. Durante 33 anos de atividades, a planta produziu 900 mil toneladas de liga de chumbo e acumulou cerca de 500 mil toneladas de escória, um resíduo sólido altamente tóxico com até 3% de concentração do elemento químico. Trabalhadores como Adailton Santos, hoje com 69 anos, relatam ter manuseado pó tóxico sem equipamentos de proteção antes do diagnóstico de saturnismo em 1993.

Embora as operações industriais tenham sido encerradas nos anos 1990, os rejeitos permanecem no solo urbano e rural, mantendo a cobrança comunitária por compensações financeiras e despoluição definitiva.

Com informações de UOL e Terra.

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