Sábado, 10 de outubro de 2026
Mundo

Vencedora do Nobel da Paz critica sanções dos EUA contra Tribunal de Haia

Navi Pillay classificou atitude de Washington como inaudita; Donald Trump atacou o prêmio e disse que a Noruega manchou sua reputação

Comitê do Prêmio Nobel da Paz
Foto: Jonathan Mazin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A juíza e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos Navi Pillay, recém-anunciada vencedora do Prêmio Nobel da Paz, classificou neste sábado (10) como "inauditas e inaceitáveis" as sanções impostas pelos Estados Unidos contra o Tribunal Penal Internacional (TPI). A declaração foi feita por videoconferência durante um evento no Centro Nobel da Paz, em Oslo, na Noruega.

As sanções americanas e a troca de farpas expõem um desgaste diplomático significativo. A punição a juízes internacionais pelo exercício de suas funções fragiliza o sistema de justiça global e acentua a divisão entre os Estados Unidos e os órgãos multilaterais, especialmente em temas sensíveis como os conflitos no Oriente Médio.

O desgaste se intensificou após o anúncio da premiação. O governo dos EUA prometeu novas sanções contra o tribunal sediado em Haia, que já havia irritado Washington e Tel Aviv ao expedir mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por supostos crimes em Gaza. Pillay, que presidiu uma comissão da ONU que acusou Israel de genocídio, afirmou que é inadmissível um país punir magistrados apenas pelas ordens judiciais que emitem.

A escolha do comitê norueguês também provocou forte reação de Donald Trump. O presidente americano afirmou em sua rede social que a entrega do prêmio a Pillay deixou uma "mancha indelével" na reputação da Noruega e voltou a argumentar que ele próprio deveria ter sido o vencedor da honraria deste ano.

Com informações de Exame, UOL e Folha.

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