Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
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Vinte anos após assassinato, mandantes da morte de repórter russa seguem impunes

Opositores homenagearam Anna Politkovskaia, que foi morta a tiros em 2006 depois de desafiar Vladimir Putin.

Vinte anos após o assassinato a tiros da jornalista russa Anna Politkovskaia, a polícia da Rússia nunca descobriu ou apresentou quem foram os mandantes responsáveis por encomendar o crime. Repórter influente do jornal independente Novaia Gazeta, ela alcançou notoriedade mundial por conduzir investigações rigorosas sobre corrupção estatal, abusos militares na Chechênia e por fazer duras críticas ao presidente Vladimir Putin.

A impunidade no caso da repórter tornou-se um símbolo da precariedade da liberdade de imprensa na Rússia, país onde as vozes de oposição frequentemente relatam perseguições letais. As reportagens de Anna também haviam irritado a liderança chechena sob o comando de Ramzan Kadyrov, que, assim como as autoridades de Moscou, sempre negou ter orquestrado a execução da jornalista.

Na via judicial, o Estado russo conseguiu condenar, em 2014, cinco homens acusados de serem os executores e organizadores do ataque fatal à repórter, sendo quatro deles de origem chechena. O veredito, no entanto, falhou ao não subir a escala de comando para apontar quem pagou pelo assassinato. Para irritação de entidades de defesa do jornalismo, um desses atiradores condenados ainda recebeu perdão oficial em 2023 após concordar em lutar na atual guerra contra a Ucrânia.

A família de Anna e os ativistas russos veem o atual panorama político como um bloqueio intransponível para a verdade. Em entrevista, Ilia Politkovski, filho da jornalista, admitiu que não espera novidades nas investigações sob a atual estrutura de poder. "Uma verdadeira investigação só será possível se o regime mudar", afirmou o herdeiro.

Para marcar a passagem dos 20 anos do caso, grupos de opositores russos desafiaram o clima de repressão para prestar homenagens em formato de vigília e depositar flores junto a um memorial nesta quarta-feira (7). O ato em praça pública não ficou imune ao rigor do governo e foi vigiado o tempo todo pela polícia, que chegou a abordar alguns dos participantes no local da homenagem.

Com informações de RFI Brasil, UOL e Observador (Portugal).

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