Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Política

Áudios sugerem que dono do Banco Master contratou Mantega para influenciar Lula

Em 2025, Daniel Vorcaro e seus advogados tentaram que o ex-ministro da Fazenda intercedesse no governo contra uma investigação do Banco Central.

Daniel Vorcaro
https://www.flickr.com/photos/200476703@N05/53660335282/in/photolist-2pKMfbw · Foto: Márcio Gustavo Vasconcelos / Wikimedia Commons (CC0)

Novos áudios localizados no aparelho de celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam uma força-tarefa da diretoria do Banco Master para pressionar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, a defendê-lo pessoalmente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Nas gravações ocorridas em 2025, o advogado de defesa e sócio da instituição, Walfrido Warde, organizava as tratativas para encontrar uma solução governamental.

As interceptações expõem como instituições investigadas podem tentar criar canais de influência direta no Palácio do Planalto. Vorcaro estava em rota de colisão com o Banco Central e pagou R$ 14 milhões por uma consultoria de Mantega; o objetivo das mensagens era fazer com que o presidente ouvisse sua versão de que a empresa vinha sendo vítima de represálias exageradas no sistema bancário, e que suas carteiras de crédito eram de fato rentáveis.

As negociações políticas do empresário ocorreram meses depois do seu último encontro documentado com o chefe de Estado, datado de dezembro de 2024. A investida não teve sucesso para evitar a quebra total: após o Banco Central vetar, em setembro de 2025, a aquisição das carteiras no Banco Regional de Brasília (BRB), a autarquia ordenou a liquidação imediata da instituição, sob alegações de desequilíbrio e fraude nos repasses daquelas mesmas carteiras, resultando na prisão do proprietário. O Planalto declarou não ter recebido Guido Mantega com esse fim.

Com informações de Estadão e Google Notícias.

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