Domingo, 11 de outubro de 2026
Saúde

Brasil prevê 22,5 mil casos de câncer gástrico em meio a diagnósticos tardios

Projeções do Inca apontam alta contínua de registros até 2028; taxa de mortalidade ultrapassa 60% e doença mata cerca de 15 mil por ano

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) elevou para 22,5 mil a projeção de novos diagnósticos de câncer de estômago no Brasil para o triênio iniciado em 2026, marcando o terceiro reajuste consecutivo para cima nas estimativas nacionais. A patologia mantém um histórico de alta mortalidade no país, superando 12 mil óbitos anuais há duas décadas e registrando 14,9 mil mortes no balanço mais recente de 2024.

O aumento esperado de casos agrava a sobrecarga sobre a rede pública de oncologia, uma vez que a letalidade do câncer gástrico ultrapassa 60% entre os pacientes atendidos. O índice elevado exige que o Sistema Único de Saúde (SUS) amplie a disponibilidade de exames preventivos, como endoscopias digestivas, capazes de identificar lesões iniciais antes de sua transformação em tumores invasivos.

A nova marca de 22,5 mil diagnósticos consolida uma elevação contínua no quadro epidemiológico nacional, após estimativas de 21,2 mil casos no ciclo 2020-2022 e 21,4 mil no período 2023-2025. Registros do Inca indicam que o número de vítimas fatais por ano saltou de 12.435 em 2005 para 13 mil em 2007, alcançando 14 mil em 2013 e atingindo o pico de 15 mil mortes em 2019.

Segundo o gastroenterologista James Ramalho Marinho, da Federação Brasileira de Gastroenterologia, a alta taxa de mortes decorre diretamente do diagnóstico em estágios avançados, quando intervenções cirúrgicas e quimioterápicas possuem eficácia reduzida. O médico aponta ainda que a escassez de recursos para erradicar a bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), aliada ao envelhecimento da população e ao avanço da obesidade, sustenta a curva ascendente de infecções graves no território nacional.

Com informações de UOL e Folha.

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