Domingo, 04 de outubro de 2026
Brasil

Defensoria Pública cobra mudança nas cotas raciais para professores da USP

Órgão aponta que política atual beneficia poucos candidatos negros porque maioria dos concursos oferece no máximo duas vagas.

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo enviou à Universidade de São Paulo (USP) uma nota técnica cobrando mudanças emergenciais na política de cotas para a contratação de professores, apontando a baixa eficácia do modelo atual em ampliar de fato a diversidade racial nos campi da instituição.

A cobrança expõe as falhas da política de ações afirmativas da maior universidade do país e pede soluções concretas para incluir mais pessoas pretas, pardas e indígenas. Uma das grandes críticas é que a regra vigente acaba beneficiando poucos candidatos na prática, travando a pretendida ampliação do quadro de docentes negros no ensino superior.

O documento do Núcleo Especializado de Promoção da Igualdade Racial (Nupir) demonstra que as cotas diretas, garantidas em editais que oferecem três ou mais vagas, quase não ocorrem. Isso acontece porque mais de 98% dos 1.721 concursos concluídos entre 2022 e 2026 abriram somente uma ou duas oportunidades. Nesses concursos menores, a USP aplica apenas uma bonificação na nota, mecanismo que, segundo a Defensoria, ajudou de forma concreta no máximo 18% dos aprovados cotistas.

Desde a entrada em vigor da nova norma de cotas, a participação de professores negros na USP passou de 2,6% em 2022 para apenas 4% no ano de 2025, um aumento classificado como "extremamente baixo" pela Defensoria. Com o avanço para as etapas mais altas da carreira acadêmica, o número e a proporção de docentes pretos e pardos caem ainda mais.

Com informações de UOL e Folha.

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