Domingo, 08 de novembro de 2026
Cultura

Mais de 200 escritoras denunciam sexismo nos principais prêmios literários da França

Manifesto assinado por Annie Ernaux e Virginie Despentes contesta vitória exclusiva de homens

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Mais de 200 escritoras francesas, incluindo a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura Annie Ernaux e a romancista Virginie Despentes, publicaram um artigo no jornal Libération nesta sexta-feira (6), em Paris, para denunciar o sexismo predominante nas principais láureas literárias da França.

A mobilização expõe a barreira histórica enfrentada por autoras na consagração editorial e no acesso a mercados editoriais mais amplos. As signatárias expressaram indignação após todos os cinco maiores reconhecimentos da temporada literária nacional terem sido concedidos exclusivamente a escritores homens, contrariando as expectativas de uma safra elogiada pela pluralidade de obras femininas.

A lista de premiados deste outono contemplou Philippe Jaenada com o Prêmio Goncourt, François-Henri Désérable com o Renaudot, Yannick Haenel com o Femina, Philippe Vasset com o Médicis e Sébastien Lapaque com o Grande Prêmio da Academia Francesa. O manifesto sustenta que a seleção reflete uma engrenagem de cooptação patriarcal, favorecida pelo modelo tradicional de escolha em que os membros dos júris são nomeados pelos próprios pares sem mandatos por tempo determinado. Autoras obtiveram destaque apenas em honrarias de menor alcance, como Anne Godard no Prêmio Décembre e Lucie Rico no Prêmio de Flore.

O coletivo de autoras anunciou que planeja intensificar debates públicos sobre a reformulação dos estatutos de escolha dos comitês julgadores nos próximos ciclos culturais do país.

Com informações de UOL e G1.

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