Capas de livros de terror refletem medos e tensões de cada época
Pesquisa de escritor norte-americano analisa ilustrações das décadas de 1960 a 1990
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O design das capas de livros de ficção de terror publicados entre as décadas de 1960 e 1990 nos Estados Unidos documentou os temores e as ansiedades sociais daquele período histórico, segundo estudo apresentado pelo escritor norte-americano Grady Hendrix. O levantamento integra o livro "Paperbacks from Hell", obra ainda inédita no mercado brasileiro que examina a evolução da arte comercial no gênero fantástico.
A produção gráfica de romances de bolso operava sem amarras de autocensura, permitindo que ilustradores expusessem tensões culturais imediatas por meio de representações explícitas de monstros, possessões e perseguições psicológicas. De acordo com análises semióticas citadas no trabalho, as criações fantásticas respondem diretamente ao nível de mal-estar da sociedade em cada contexto histórico e regional.
O histórico das publicações ilustra essa correlação: nos anos 1950, o temor do comunismo e da aniquilação nuclear durante a Guerra Fria foi canalizado em enredos de invasões por marcianos, enquanto a liberdade sexual das décadas seguintes foi progressivamente substituída por metáforas de contágio biológico com a eclosão da epidemia de aids. Hendrix, que já teve romances como "O Exorcismo de Minha Melhor Amiga" lançados no Brasil, prevê que a recuperação desse acervo visual inspire novas pesquisas acadêmicas sobre o papel do medo ficcional na cultura de massas.
Com informações de UOL e Folha.
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