Sábado, 03 de outubro de 2026
Saúde

Falta de atenção pode não ser a verdadeira causa do TDAH, aponta debate médico

Em meio à alta de diagnósticos e ao uso de estimulantes, pesquisadores discutem as origens do transtorno

Um estudo recente sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) reabriu o debate entre cientistas e psiquiatras sobre a possibilidade de a condição não estar fundamentalmente ligada à falta de atenção.

A discussão ganha força em um momento de aumento expressivo nos diagnósticos, o que impacta diretamente na quantidade de pessoas que passam a consumir estimulantes prescritos. Para especialistas, a revisão do conceito pode mudar a forma como a medicina diagnostica e trata os pacientes que sofrem com desorganização, esquecimento e impulsividade no dia a dia.

O questionamento foi impulsionado por uma pesquisa publicada na revista científica Cell no ano passado, que analisou o efeito de medicamentos estimulantes nos circuitos cerebrais de crianças. O estudo buscou entender a natureza básica da síndrome antes de classificá-la apenas pelo sintoma mais conhecido.

Segundo relatos psiquiátricos, cada vez mais adultos buscam ajuda para lidar com dificuldades nas tarefas diárias, como cumprir prazos, organizar relatórios ou até realizar afazeres domésticos. Essas frustrações cotidianas acabam sendo frequentemente enquadradas de forma rápida como déficit de atenção.

No meio médico, o dilema se divide entre duas visões distintas. De um lado, há quem defenda que a medicina finalmente reconheceu um transtorno que era historicamente negligenciado; do outro, há a preocupação de que o diagnóstico tenha se tornado genérico demais, medicalizando dificuldades comuns da vida moderna. O debate científico deve continuar nos próximos anos para tentar redefinir o enquadramento do TDAH.

Com informações de UOL e Folha.

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