Sábado, 03 de outubro de 2026
Saúde

Mitomania: entenda o que é o distúrbio da mentira compulsiva

Diferente das pequenas desculpas cotidianas, a condição faz com que pessoas criem narrativas falsas e desproporcionais de forma frequente.

Embora a mentira represente um comportamento humano quase universal, frequentemente acionado na proteção da intimidade ou na prevenção de atritos sociais, a psicologia reconhece a existência de uma barreira profunda que separa as desculpas inofensivas de um quadro mais grave. A mitomania, apelidada no passado de pseudologia fantástica, configura uma condição psíquica que transforma a invenção de histórias em um traço persistente de vida.

Nesta condição de mentira patológica, a pessoa fabrica narrativas de forma compulsiva e desproporcional à realidade. Em contraposição às mentiras ocasionais — que geralmente possuem uma finalidade estratégica compreensível —, o ato de inventar cenários infundados transforma-se na forma padrão com a qual o indivíduo mitômano conduz suas relações interpessoais e se coloca na sociedade.

Catalogado e descrito na literatura psiquiátrica ao longo de mais de um século, o problema da mentira patológica ainda permanece controverso nas avaliações modernas. Ele não figura atualmente como um diagnóstico mental independente nos sistemas oficiais, apesar dos especialistas concluírem que o comportamento gera estragos sociais significativos, levando à perda de empregos e vínculos essenciais.

Curiosamente, as narrativas concebidas pelo paciente nem sempre retratam enredos absurdos ou fantasias impossíveis. Pelo contrário, as mentiras que os pacientes contam podem surgir, frequentemente, de bases verídicas e situações que realmente aconteceram, antes de serem progressivamente ampliadas, contorcidas e enfeitadas na cabeça da pessoa.

Com informações de UOL e Folha.

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