Pesquisa sobre câncer que ganhou Nobel de Medicina há um século acabou refutada
Johannes Fibiger alegou que vermes causavam a doença, mas estudos posteriores revelaram erro em sua tese
Há exatos cem anos, o cientista dinamarquês Johannes Fibiger recebia o Prêmio Nobel de Medicina por uma pesquisa sobre o câncer que, algum tempo depois, a própria comunidade científica descobriu estar errada. Em seu trabalho, Fibiger defendia a ideia de que a doença era diretamente induzida por uma substância tóxica produzida por pequenos vermes parasitas.
Relembrar o caso ilustra como o conhecimento científico avança a partir da reavaliação de seus próprios tropeços. Mesmo com a conclusão fundamentalmente equivocada, pesquisadores contemporâneos reconhecem que o estudo de Fibiger foi um marco na oncologia, já que ajudou a abrir o caminho para entender como agentes externos podem influenciar a formação de tumores.
Durante os experimentos que lhe renderam o prêmio, o cientista usava baratas como hospedeiras intermediárias para os vermes, que se instalavam no estômago de roedores. Ao alimentar ratos saudáveis com esses insetos infectados, Fibiger observava o surgimento de lesões e inflamações severas que ele categorizava como tumores malignos. Nos anos seguintes à premiação, novos estudos demonstraram que a relação estabelecida por ele era falha, transformando seu Nobel em uma das premiações mais controversas da história.
Com informações de UOL e Folha.
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