Sábado, 03 de outubro de 2026
Economia

Instalação de painéis solares em lavouras exige medições específicas antes do projeto

Técnica conhecida como agrivoltaica muda o clima da plantação devido à sombra e altera ritmo das plantas

A decisão de instalar painéis fotovoltaicos sobre áreas agrícolas — prática que recebe o nome de agrivoltaica — vai muito além de espalhar sombras pela plantação. Pesquisadores alertam que a divisão do terreno entre a lavoura e a geração de energia muda significativamente o fluxo de luz, a umidade, a temperatura do solo e até a circulação de máquinas pelo terreno, exigindo medições locais cautelosas antes da execução do projeto.

Ter conhecimento prévio sobre o ambiente é determinante porque as placas fotovoltaicas interceptam a radiação e projetam faixas de sombra móveis durante o dia. Fatores do equipamento, como a altura, o grau de inclinação e a orientação perante o sol, afetam de maneira direta o quanto de iluminação consegue atingir as folhas das plantas.

Essa diferença na absorção da luz solar e do calor pode ser excelente para algumas espécies sensíveis a temperaturas elevadas, servindo como uma barreira de proteção. Por outro lado, lavouras de plantas que exigem um alto nível de sol diário acabam prejudicadas caso a montagem das placas cubra intensamente a radiação natural.

Por causa das grandes variações nos resultados alcançados em climas distintos, a indicação dos cientistas é que os agricultores calculem a radiação exata absorvida na região, evitando classificações genéricas. Avaliar a água também é crucial para colher os benefícios da técnica, uma vez que a ausência de calor direto reduz a temperatura da terra e diminui a quantidade de água perdida por evaporação.

Com informações de O Antagonista e Público (Portugal).

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