Sábado, 03 de outubro de 2026
Economia

Mercado prevê dívida de 90% do PIB e cobra ajuste do próximo presidente

CEOs de instituições financeiras alertam para risco de crise, juros altos e necessidade de medidas impopulares pós-eleições

Os principais executivos de instituições financeiras do país alertam que o próximo presidente da República terá de priorizar o ajuste das contas públicas para evitar um colapso econômico e social. O aviso unânime ocorre diante da escalada acelerada da dívida pública, que atingiu cerca de 83% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto e caminha para superar os 90% do PIB até o ano de 2028, segundo projeções do mercado.

O nível descontrolado de endividamento do Estado afeta diretamente o custo de vida, pois força o Banco Central a manter as taxas de juros elevadas, encarecendo o crédito para empresas e famílias que já estão sufocadas. O maior temor da chamada Faria Lima é o risco da "dominância fiscal", um cenário extremo em que a política monetária perde sua eficácia e o país mergulha de vez em uma crise de confiança associada à alta inflação.

Para os CEOs ouvidos em levantamento do jornal "O Estado de S. Paulo", não haverá saída fácil nem alinhamento automático com o Congresso, independentemente de quem vencer as eleições presidenciais de 2026, citando os potenciais candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação do setor é que o futuro governo será obrigado a encampar medidas altamente impopulares, como reformas previdenciária e administrativa, além de cortes em gastos vinculados. "Já votei no Bolsonaro e no Lula, e não quero que essa briga continue", destacou Ricardo Lacerda, CEO do banco de investimentos BR Partners, resumindo o anseio do mercado por responsabilidade fiscal acima das polarizações políticas.

Com informações de Estadão e Google Notícias.

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