Uso do celular em salas de espera está ligado ao tédio, e não à falta de atenção, diz estudo
Pesquisa aponta que a dificuldade de lidar com a sensação desagradável da ociosidade faz as pessoas buscarem distrações imediatas nas telas.
A atitude quase automática de pegar o celular para checar a tela enquanto se aguarda em uma sala de espera não indica, necessariamente, que a pessoa tenha uma capacidade de atenção reduzida. De acordo com um estudo psicológico recente, esse comportamento está ligado à dificuldade humana de lidar com o tédio.
A conclusão ajuda a desconstruir o discurso frequente de que a sociedade atual está perdendo a capacidade cognitiva de manter o foco. Na prática, o que ocorre é o uso dos aparelhos como um escudo de conveniência contra o desconforto que a ociosidade provoca.
O levantamento publicado em 2026 pelos cientistas Katy Y. Y. Tam, Wijnand A. P. van Tilburg e Cristian S. Chan analisou a relação de causa e efeito entre a sensação de tédio e a utilização constante de smartphones. O trabalho combinou formulários estruturados com a coleta objetiva de dados sobre o tempo de tela de mais de 750 voluntários.
As observações indicaram que não é apenas o fato de estar entediado que desencadeia a vontade de manusear o telefone, mas sim o nível de incômodo que esse sentimento causa em cada indivíduo. A tela iluminada se apresenta como a solução mais rápida para preencher o vazio.
Os pesquisadores apontam que as pessoas simplesmente se adaptaram a carregar no bolso uma fonte infinita de estímulos que está o tempo todo à disposição. Dessa forma, não conseguir ficar alguns minutos parado sem consultar o aparelho é, antes de um problema de atenção, um mecanismo consolidado de fuga da monotonia.
Com informações de Google Notícias e Terra.
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