Alexandre de Moraes recebe cúpula da Polícia Federal em reunião fora da agenda
Diretor-geral, chefe de inteligência e ministro do STF discutiram assuntos nos bastidores que não vieram a público.
O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes, reuniu-se na última terça-feira (6) com o comando máximo da Polícia Federal diretamente na sede do tribunal, em Brasília. O encontro levantou atenção redobrada do mundo político pelo fato de não ter sido divulgado com antecedência e não constar nas agendas oficiais publicadas nem do magistrado, nem da diretoria da polícia responsável pela investigação de crimes do colarinho branco.
A falta de registro público sobre o conteúdo das conversas ocorre em um momento delicado, marcado por desconfiança cruzada. Tanto Alexandre de Moraes quanto os delegados envolvidos no encontro secreto estão no meio de graves polêmicas que envolvem troca de acusações, relatórios disciplinares do governo e suspeitas de interferência política nas instituições de Justiça.
No encontro do STF, estavam presentes o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa, e o agente Denis de Carli. Recentemente, a própria cúpula chefiada por Rodrigues e Almada se viu na incômoda posição de ser investigada sob a suspeita de usar os recursos do Estado para espionar clandestinamente alguns ministros do próprio Supremo, o que gerou até mesmo um breve afastamento disciplinar dos dois de suas funções diretivas.
Para agravar o mal-estar do lado do magistrado, Alexandre de Moraes é suspeito de abusar do seu poder para blindar e fornecer orientações ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que encontra-se na cadeia por corrupção. O documento base que expôs o suposto acordo criminoso foi um relatório assinado justamente pela Polícia Federal, o qual listava 52 tentativas de comunicação telefônica e envio de mensagens com sistema de autodestruição feitas entre Vorcaro e Moraes momentos antes do banqueiro ser interceptado.
O possível processo de investigação contra o ministro do STF por conta de sua controversa relação com o ex-banqueiro deveria ter entrado na pauta do Plenário no mês passado, mas a Corte atuou nos bastidores para estender o prazo inicial e decidiu salvar Moraes de uma apuração mais contundente por um período de até 90 dias úteis.
Com informações de Poder360, Metrópoles e Revista Oeste.
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