Banco Central pode enfrentar dilema entre juros altos e recessão econômica
Analistas apontam que a autoridade monetária terá de equilibrar a inflação em alta com a desaceleração na atividade do país
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O Banco Central do Brasil (BC) pode enfrentar um dilema entre tolerar uma inflação mais alta ou elevar ainda mais os juros e travar o crescimento do país, segundo avaliação do economista Samuel Pessoa publicada neste sábado (7). O cenário decorre da piora nas expectativas de preços e de sinais recentes de desaceleração na economia brasileira.
A decisão da autoridade monetária afeta diretamente o bolso da população, já que a taxa Selic — a taxa básica de juros da economia, usada para controlar a inflação ao encarecer o crédito — foi mantida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Juros elevados encarecem financiamentos e empréstimos bancários, reduzindo o consumo das famílias e os investimentos das empresas.
Analistas do mercado financeiro, incluindo a equipe do banco BTG Pactual liderada pelo economista Tiago Berriel, estimam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial que mede a inflação no país, fique em 5,9% em 2027. Entre os fatores de pressão apontados estão a desvalorização cambial, eventuais mudanças na jornada de trabalho, possíveis impactos climáticos e incertezas sobre a implementação da reforma tributária. Ao mesmo tempo, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor de serviços caiu de 49,2 pontos em setembro para 44,5 pontos em outubro — patamar abaixo de 50 pontos, o que indica contração na atividade econômica.
As próximas reuniões do Copom ao longo de 2027 devem balizar a conduta do colegiado entre cumprir a meta inflacionária ou aplicar o objetivo secundário do banco, que é suavizar as oscilações do ciclo econômico para evitar estagnação prolongada.
Com informações de UOL e Folha.
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