Copom cita El Niño, guerra no Irã e contas públicas ao manter Selic em 13,75%
Banco Central interrompeu sequência de cinco cortes na taxa básica e apontou incertezas fiscais e climáticas após reeleição de Lula
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), em Brasília. A decisão foi tomada por unanimidade entre os diretores do colegiado e interrompeu uma série de cinco reduções seguidas de 0,25 ponto porcentual que vinha sendo realizada desde março deste ano.
A decisão impacta diretamente o custo do crédito para famílias e empresas, mantendo empréstimos e financiamentos em patamares elevados para conter a circulação de dinheiro. A autoridade monetária avaliou que a Selic precisa continuar em nível substancialmente contracionista — patamar elevado que desacelera a atividade econômica — para assegurar a convergência da inflação em direção à meta oficial.
O Banco Central vinha conduzindo um ciclo de afrouxamento monetário nos encontros anteriores, mas optou por interromper os cortes diante do aumento das incertezas no cenário doméstico e internacional. No comunicado oficial divulgado após o encontro, o colegiado citou pressões provocadas pelas tensões no mercado de câmbio, pelos efeitos climáticos do fenômeno El Niño sobre os preços e pelos reflexos da guerra do Irã sobre as cadeias globais de suprimentos e os preços de commodities.
Esta foi a primeira reunião do comitê após o segundo turno que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, período acompanhado por volatilidade no mercado financeiro. O Copom ressaltou ainda que o equilíbrio entre arrecadação e despesas do governo permanece no centro das atenções, apontando riscos fiscais que elevam as expectativas para a inflação futura.
O Copom informou que continuará monitorando a evolução dos indicadores econômicos antes de definir os próximos passos da política monetária. O Banco Central divulga na próxima terça-feira a ata com o detalhamento das discussões e dos votos da reunião.
Com informações de G1, UOL, Estadão, Google Notícias e Agência Brasil.
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